Por muito tempo, crescer significava trilhar um caminho claro: ir à escola, prestar vestibular, cursar o ensino superior, seguir uma carreira definida e estável. Hoje, porém, educamos crianças para um futuro cuja principal característica é a imprevisibilidade. É possível que seu filho escolha uma profissão que ainda não existe e que tenha de buscar soluções para problemas que não conhecemos — ou para os quais ainda não encontramos resposta.
Mas como preparar para o desconhecido? Nesse cenário de mudanças constantes — em que a tecnologia avança rapidamente e transforma a sociedade, as relações e o mercado de trabalho —, a necessidade que se coloca é de estimular crianças e jovens ao desenvolvimento de competências que servirão como uma espécie de “bússola interna” para desbravar e descobrir novos caminhos. Uma trajetória que inclui o desenvolvimento da autonomia, da resiliência, do pensamento crítico e da criatividade.
A gente entende: a tarefa não é simples. Todos nós estamos em processo de adaptação aos desafios dos novos tempos. Mas a boa notícia é que ela pode, sim, ser realizada. Veja, abaixo, algumas estratégias para adotar.
1. Ressignifique o erro como parte do aprendizado
O erro é quase sempre encarado de forma negativa, o que é um equívoco. No processo de aprender algo novo, errar é natural e essa noção deve ficar clara para crianças e jovens.
Isso pode ser feito, por exemplo, valorizando o desafio e transferindo o foco do resultado para o processo. Mostre que a jornada de descobrir algo novo ou desenvolver uma habilidade pode ser estimulante e celebre cada passo do aprendizado, não apenas o acerto ao final desse caminho. Desta forma, é possível apoiar o desenvolvimento de competências como a curiosidade e a tolerância à frustração.
2. Seja parceiro da descoberta (e não quem oferece respostas prontas)
Também é importante que as famílias, em parceria com a escola, guiem os filhos rumo à capacidade de aprender a aprender. Isso significa desenvolver a autonomia e permitir que crianças e jovens sejam protagonistas do próprio aprendizado, aspectos fundamentais para desbravar o incerto.
Para isso, não seja um provedor de respostas prontas, mas sim um mediador entre seu filho e a descoberta. Estimule a resolução de problemas e o pensamento crítico — por exemplo, respondendo com novas perguntas e ajudando no percurso em vez de apenas apontar o caminho.
Além disso, mostre que os adultos não são detentores de todas as respostas e que o “não saber” é, além de uma realidade com a qual ele vai se deparar diversas vezes ao longo da vida, um motor para seguir aprendendo sempre.
3. Permita que seu filho faça escolhas desde cedo
A autonomia deve começar a ser trabalhada ainda durante a infância. Criar filhos independentes é um gesto de amor e de confiança, que permitirá a formação de adultos responsáveis, autoconfiantes e capazes de fazer escolhas conscientes.
Algumas medidas simples como permitir que a criança escolha a roupa que vai usar — oferecendo uma quantidade limitada de opções, sobretudo no começo, para que o aprendizado seja gradual — e opine sobre qual passeio realizar no domingo fazem a diferença. Também é importante incentivar que os filhos organizem os próprios brinquedos e envolvê-los, aos poucos e respeitando o que é adequado para cada idade, na realização de tarefas domésticas.
Conforme a criança cresce e chega à adolescência, é preciso equilibrar liberdade e limites e, além disso, apoiar na busca por identidade, respeitando a singularidade de cada jovem. Nesse processo, diálogo e acolhimento são fundamentais.
4. Estimule a diversidade de experiências (e o desapego a planos rígidos)
Muitas vezes, a ansiedade dos pais em “garantir o futuro” faz com que cerquem os filhos apenas de atividades com fins produtivos e resultados previsíveis. Para navegar com segurança na incerteza, porém, é preciso contar com um repertório variado.
Incentive seu filho a testar novos hobbies, conviver com pessoas de universos diferentes e encarar imprevistos — como uma mudança de planos de última hora — sob a perspectiva de uma oportunidade de adaptação, e não como um problema. A capacidade de recalcular a rota com leveza é uma ferramenta poderosa para quem vai viver em um mundo que se transforma o tempo todo.
Como você certamente notou na leitura até aqui, educar para o desconhecido exige, antes de tudo, coragem dos adultos para abrir mão do controle. No final das contas, a maior contribuição da família não é garantir que seus filhos cheguem a um destino específico, mas contribuir para que tenham confiança suficiente para saber que, onde quer que o futuro os leve, eles saberão como caminhar.
UNOi é um projeto educacional que integra capacidades cognitivas e socioemocionais, fortalecendo talentos para que crianças e jovens sejam curiosos, criativos e autênticos.